Contos e Afins . . .



Mícron-spot



Silêncio era uma menina de poucas palavras.



E tinha capacidade para verter-se em qualquer coisa que nunca fôra em instantes mícrons.



Por ser assim, suas relações sociais com o Tempo Rei e a Terra Espaço sempre foram de água, por suas propriedades vertedoras.



Contendo o Negro e Solimões.






É que silêncio tinha natureza para água.






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NIMBUS FLUINDO NO CRESCENDO.


Um conto entre o céu e o mar. 



Era uma vez quando o azul se abriu branco.Era uma vez o início.O início era um enxame de branco que trouxe as nuvens ao mundo de quem vê e dá nomes.O branco eram as nuvens.As nuvens eram uma multidão de algodão.

No início a multidão de algodão era o branco como coisa só e única.Uma imensa massa de pão na mão daqueles que antevêem.

Com os ventos o branco se fez espreguiçando como de um grande sono de azul do céu profundo.As nuvens brancas iam se despertando com o assovio esguio dos ventosespreguiçandoespreguiçandoespreguiçando em coluna vertebral, braços, mãozinhas e barrigaespreguiçando em pés, nariz, dedinho mindinho e olhos de quem quer dar a ver, lá da abóbada celeste, os veios de movimento da vida de baixo.As nuvens crescendo sem parar de tanto prosear com os ventos foram se expandindo em múltiplas conformações de sociedades de nuvens . .

Milhares delas:A sociedade das nuvens passageirasA sociedade das nuvens pictóricas de Michelangelo A sociedade das nuvens derretidas de DaliA sociedade das nuvens avuadasDas nuvens enluaradasDas nuvens de laboratórioE a sociedade da alta-burguesia burlesca dos penduricalhos de algodão



Nimbus, a nuvenzinha central dessa estória nasceu em berço de penduricalhos. Seu pai e sua mãe se almofadaram todos crescendo em proporções cúbicas de tamanha felicidade diante daquele pontinho de algodão tão hermosíssima.

Como toda nuvenzinha recém-chegada ao céu era de bom grado iniciar-se à cartilha de sua sociedade:Mandamento 1: honrar firmemente a cartilha da sociedade da alta-burguesia burlesca dos penduricalhos de algodão.Mandamento 2: honrar pai e mãe nuvens.Mandamento 3: não proferir palavras estrangeiras à cartilha.Mandamento 4: Adornar-se sempre que seja seus pontinhos de algodão de tantos quantos infinitos penduricalhos protocolados em cartório burlesco.

_ Mas professor e os meus pontinhos de algodão com anseios de liberdade?? O que fazer com as minhas eflorescências de livre??? Como não respirar o ar que sempre se expande muito depois de tudo aquilo que já nos disse a cartilha?? Como não irromper os botões da casaca para apregoar clarões de cores dantes nunca faladas??? - disse Nimbus.Raios relampejaram estrondos nos alicerces das sociedades de nuvens de todo céu diante de tal profanável distúrbio de ordens.Liberdade palavra tão restritamente dita


Silêncio pairado.

Diante das muralhas, Como pontinho tão recém-chegado, portentosamente, as estremecem?

Os burburinhos de bolhas de algodão começaram distantes se misturando ao constrangimento de tal silêncio. Como se assim pudessem disfarçar o assombro.E foram, os burburinhos crescendo, amplificando-se, transbordando ecos.Ecos pelos ventos até alcançarem os ouvidos de pai e mãe nuvens. O pai e a mãe de Nimbus esbaforidos e cheios de cintilantes excessos de penduricalhos pela tessitura de algodão correram.Correram. E bastante correram.Passaram pelas quatro pontes de zircônia, ametista, pingente e broquel de prata.Agora, diante de Nimbus, pai e mãe nuvem por primeira vez austeros. Austeros porque pesarosos do destino de sua filhinha tão hermosíssima de floquinha. Agora tão estrangeira, inatingível . . .Quem és filhinha que já não te abarcamos? O que fazer??Os sinos interpelam como anúncio da chegada do Cardeal Strondo do SPAA(Spressamente Proibido Aprochegar-se de Arco-íris).E dito no alto de seus proclames públicos seu rugido cinza em semibreve linear: A ordem é axioma do ar que respiramos; O ar que está contido no algodão que esquadrinhamos. Portanto Nimbus és tu que impactamos com a mente máquina que convém à ordem . . .É de supra ordem convertamo-na aos lauréis da estrutura por intermédio, esse não revogável, ao confinamento no SPAA por 14 luas. E assim está por dito. Ponto final.

Dito e entristecido; seja dito.Nossa nuvenzinha enrugou-se todo o seu babado de algodão e partiu com o seu coraçãozinho estremecido já de saudade de seus pais, de suas perguntas tão abundantes de sede por tudo antevendo todos os impedimentos que adviriam.O SPAA era tudo o que Nimbus não entendia. As coisas todas feito pedras, só pedras. Pedras nas muralhas.Muralhas de pedras e cinza.Nada de arquear cantarolas.Nada de cobrir de cores.Branco e cinza branco e cinza, branco e cinza . . .passa pedra, passa muralha, branco e cinza, branco e cinza Branco e cinza branco e cinza Branco e cinza branco e cinza Branco e cinza branco e cinzaaaaa . . .. Dia desses o céu surpreende a gente, quando a gente menos arqueia o olharEis o transver furtivo do arco-íris.Sem enviar pauta arrematada o grande arco em íris visita nosso SPAA, porque cá pra nós arco-íris nunca foi de mandar aviso, surge no instante do sorriso largo de quem vê . . .nem nunca foi de receber ordens de autoridades cinzas . . .suas cores transbordam a timidez estreitinha do cinza.Nimbus se transbordou e dançou pras rodas do arco-íris . . . Ao dançar exalava sons de alegria celta e estremecia as muralhas e os corações das noviças-cinzas do SPAA. . .Ao dançar as cores. . .as cores enovelando seus pontinhos de algodão, dantes enrugados, agora intumescido de aquarela . . .impregnados do frescor de arrebóis, violetas e de azul.Nimbus fez-se polifonia de luzEpifania de cores em algodãoImagem que nós aqui da terra extasiamos de epifenômeno. . . .as noviças empolvoradas e histéricas alteavam gritos agudos e dissonantes de que Nimbus agora já não era mais Nimbus, mas nefelibata.Nefelibata!Nefelibata!Nefelibata!Nefelibata!E agudo maior se apodera do céu quando o Cardeal Strondo se anuncia.Eu Strondo autuo, e tenho por dito, o confinamento infenestrável lá no alto da torre cinza de Nimbus pra pensa olhando para parede.E assim foi-se.De tanto olhar pro pesadume da parede, Nimbus perdeu o seu colorido e brancura e cinza e pesada perpetuou o seu pesar . . .Chorou.Chorou lágrimas.Lágrimas veladas 30 dias e 30 noites.

As lágrimas foram caindo.Rendendo-se á força da gravidade.Escorregando o abismo depois do céu.A perda do que se foi nuvem e junta-se ao desconhecido.À vastidão da água do mar que está embaixo.Alguma coisa maior, porque estrangeira, estando porvir. . . .novas dimensões a serem descobertas.O MAR.A lágrima é água do mar que cai do céu em um sorriso 360 graus no mar.O sol volta a brilharO mar ensina como espelho do mundo o que somos ao nos ver.Nimbus se vê.E se acalmaE se abre a ser quem é.Tão diferente do que já foi estranha ao seu espelho sendo os outros-cinzas.Nimbus se aquece ao se fazer cor.Hiperboliza seus efeitos de cor ... Avermelhando lumaréus de fogueira no horizonte plano da lapela do mar.Condensa seu estado aqüífero.Renova-se botão alaranjado e rosáceo de algodão.Nefelibata sim, tão sabidas diziam as noviças em sua ingenuidade de quem vê sem saber, o prenúncio de um novo ser caminhante do céu.Caminhante do mar . . .e nada é separado. Tudo é exato ou avivado.Em cena Não longe da compreensãoSob o cinzaOu sob as águas-mães.




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Uma folha só não faz um colchão 





Era uma vez um colchão feito de mil folhas vindas na aurora. Alguém por acaso conhece aurora? E nem vem dizer que é o nome da sua tia, avó ou conhecida da sua mãe não, viu? A aurora aqui é fenômeno da natureza. Coisa vivente muito tempo antes de dar nome às pessoas. Aurora é quando a energia do sol desce sobre a terra. Aquela energia poderosa, magnífica e iluminada. O que acontece todos os dias quando a gente acorda com frio e o sol vem pra trazer calor. Traz calor pra dentro da casa da gente ou pra dentro da terra úmida de folhas recém-chegadas pelo vento. É que o vento também todos os dias traz folhas do céu pra terra. E não é que no ano de 2002, mil folhas aterrissaram na terra na aurora do dia 12 de junho?!!! Nesse exato momento as folhas ainda nem imaginavam que um dia se encontrariam num colchão. Elas viviam cada uma ao redor de sua mãe e pai árvores. Mas, folha que é folha adora escutar o vento. Fica ali com as orelhinhas abertas esperando as novidades que os ventos a esquerda do rio Uberabinha trazem. Novidades sempre muito cheias de graças. A novidade, naquela época, era um novo galho no pedaço e que diziam era lindo de viver. De olhos cintilantes, cabelos de cebolinha, tronco forte e uma voz ecoando violão. As folhinhas ficaram todas empolvoradas de vontade de ver ao vivo e em tecnicolor aquele tronco robusto e verdinho. IIIIIIIIIhhhhh, mas quando souberam que ele vivia lá do outro lado do rio . . . . Quanto pesar e desapontamento. . .Como chegar em quintal tão distante e à margem de um rio tão caudaloso e largo???? Uma explosão de fogareiros acesos dentro das cabeças provocou a urgência por uma reunião de folhinhas. Na reunião, uma das folhinhas sugeriu fazer um pedido formal aos pais árvores para alugarem um bote-folha de modo a atravessar o rio. Uma outra folha retrucou que ela já bem conhecia seus pais e que o amor imenso deles jamais permitiria tal risco. Uma folha de jenipapo sugeriu pára-quedismo, mas a folhinha de pitanga disse que não tinha nascido lá nas alturas do jenipapo e que morria de medo de altura e mesmo assim duvidava que o vento fosse ser tão forte a atravessar tão largo rio. De repente uma voz bem baixinha de lá depois das quaresmeiras falou que o bom mesmo era procurar a caverna de Gaia que diziam tinha resposta até para o impossível. Como todas já haviam aprendido na escola do jardim, o segredo para escutar a caverna de Gaia não estava nas telas de cinema, nem nas de televisão, mas no silêncio entre a inspiração e a expiração. Coisa a princípio bem diferente e difícil, mas que igual a andar de bicicleta ou pular corda era só uma questão de ir fazendo que um dia a gente sem perceber ta lá todo feliz realizando. . .e sentindo a liberdade do natural de fazer. Então as mil folhinhas juntaram as mãos e fizeram a pergunta em silêncio para Gaia. Logo, logo, no tempo de comer um suspiro, Gaia respondeu com sua voz leve e serena: “A natureza faz a justa medida das coisas. Tudo o que se deseja se alcança no tempo que a natureza nos dá. Hoje é primavera e a lua ainda é uma fina fita crescente de luz no céu. Esperem o verão chegar trazendo a plenitude da lua cheia. Ao meio dia a terra estará quente e as idéias já estarão a um segundo da realização de seus sonhos. O mais importante agora, minha queridas folhinhas, são os seus sonhos. Plantem seus sonhos na terra úmida da primavera. Não importam quais sejam os seus sonhos, os mais impossíveis. . .ou como vocês irão plantá-los. Essa é a parte magnífica de estar vivo aqui nesse jardim. Porque cada folha, ou grupo de amigas de folhas podem sonhar e plantar qualquer coisa que desejarem . .. da maneira como desejarem . .. As respostas virão do casamento da fruta madura com as raízes cheias de idéias malucas”. A partir daí foi um burburinho sem fim de idéias nascendo de sonhos plantados pelas folhinhas no jardim. A folhinha da Acácia foi a primeira a se pronunciar: “Pois eu vou plantar cometas de nuvem para alcançar o topo do verão na velocidade dos céus.” A folhinha de bromélia, que se parece como um punhado de alfinetes abertos pro ar, disse que o bom mesmo seria brincar de ser telhado verde com aquecimento mais perto do sol. “ AHHHHH, mas foi uma apoteose de idéias nascendo, sonhando, plantando feito tempestade de chuva em dia de sol!!!!!! Mas uma das folhinhas teve um sonho que sacudiu a poeira da folharada.. . Ouçam só: É que ela pensou muito na sua vontade de fazer o verão chegar logo e que para ele chegar era preciso sonhar de dia e de noite . . .Pensou, pensou e criou a idéia que foi o início dessa estória. Será que alguém se lembra do início dessa estória??? Pois é, ela começou com um colchão. Então escutem só que idéia de raiz mais maluca: “Pra fazer verão é preciso fazer calor, calor se faz quando muitas folhas estão tão bem juntinhas e apertadas que a gente sente aquele sufoco e vai num salto pra piscina. Mas sentir calor quando bem espremida pode ser em qualquer lugar, no carro, no banheiro, na fila de espera, em qualquer lugar mesmo!!! Agora, sentir calor sonhando, ahhhhh, eu não conheço lugar melhor do que na minha cama debaixo do edredom quando eu estou dormindo. É isso aí, gente!!!! Vamos criar um colchão que acolha o sonho de TODAS as folhinhas ao mesmo tempo sonhando dormindo ou acordadas TODAS JUNTAS!!!! Um colchão feito de mil folhinhas vindas na aurora. No nascer do sol transbordando calor pro verão chegar logo. Ao meio dia de dentro de um colchão quente de folhas de um jardim, mil folhas encontrarão aquele galho lindo e verdinho de olhos cintilantes, cabelos de cebolinha, tronco forte e uma voz ecoando violão . . . . eu não tenho dúvidas disso .. .e vocês?????

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Capítulo 43 – Do nascimento da Vontade

Hoje, aqui no planeta Terra, tudo acordou cítrico e gelado. É inverno, né gente?!!! O céu é branco, a lua é nova e prata e tem vontade de guardar sua luz pra dentro. A verdade é que a vontade fica todinha pra dentro. E a minha vontade deu de voltar tanto pra dentro que voltou ao início dela. Parecia tudo meia-noite, mas a meia-noite de dentro nem é preta, viu?! Ela é vermelho-carmim, uma calda de doce de goiaba, o vermelho morno gostando de namorar o vinho. E tudo posto a mesa alguns segundos depois de saído do forno. O vapor é tudo. O morno é tudo. O vermelho-carmim é tudo. E tudo é uma coisa só; bem molinha e cheia de redondos. É como colo de mãe, pai, vovó e vovô tudo junto, misturado e dentro. Confessa aí, nem dá vontade de sair. A única vontade é aquela de brincar de estátua. A gente pode até respirar de olhos abertos observando os detalhes do calor na gente, mas dá para ficar assim estátua pelo menos nove meses??? Foi assim que a vontade pensou. E assim foi-se. Pois, pois... Até o dia em que as ondas começaram a se formar. Nossa dava cada solavanco que era impossível não sacolejar. Era uma corrente contagiante querendo levar, levar e mais levar. Levar a vontade dali pra outro lugar. Um redemoinho espiralando a vontade que era vermelho-carmim-vapor para fora do calor. Ai, ai, ai, ai, ai . .IHHHH, nossa deu um frio naquele lugar do umbigo. Será que eu vou. Não vou. E se eu for. Não vou. Mas e se eu fosse. Não vou. IHHHHHH não tem mais jeito não, o espiralando virou furacão. Já fuuuuuuuuuuuuuiiiiii iupiiiiii. . . . .Montanha russaaaaaa . .URUpp . Nossa, mas aqui fora é tanta luz!!!! Meus olhinhos impossíveis se manterem fechados. Porque aqui tudo tão branco e tão avivado lindo e iluminado. E eu que pensava que respirar pra fora seria ácido e cortante. Nada disso. É fresco e vivo e tanta luz!!!! Eu quero! Eu quero . . . . eu quero...ahhhhhh..... . . . . .. . . . .. . . .Depois de nove meses de inverno para dentro, a vontade agora era seus dois olhinhos vibrantes e inteiros pra fora.




Logo, logo mais. . . .muito mais aventuras aqui no mundo de fora e outras tantas no mundo de dentro. É que dentro e fora são uma coisa só quando a gente entra e sai de existir.

PS. Gente, tava aqui em reticências e acho coisa mais importante de ir reiterando pra deixar claro e límpido aos olhos de quem vê e lê que esse nascimento da Vontade foi o seu trecentésimo quadragésimo terceiro aniversário de nascer no planeta Terra. E que mesmo depois de tantas vezes ela sentia como se fosse sua primeira vez de existir no planeta. PS2. Outra coisa: O único e simplesmente tão singular desse mergulho para dentro do início da Vontade é que enquanto ela estava no vapor Carmim por nove meses, sentia que estava dentro da barriga dela mesma. UAU!!! Complicou, né??? É meio a meio confuso, mas depois que a gente sente, tudo vale à pena! É como se a Vontade sentisse que estivesse grávida dela mesma. Ou como se Ela, enquanto sentindo aquele calorzinho do aconchego de estar dentro, sentisse todos os movimentos redondos e molinhos dentro da sua barriguinha. Sentindo pra dentro e pra fora ao mesmo tempo. Sabe picolé de limão quando entra na boca da gente e a gente sente que virou picolé também? É meio a meio mais ao menos assim!



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Capítulo 767 – Do meu irmão Coragem e o jogo da natureza de todas as Coisas



Gente, não sei se já contei para vocês, mas eu tenho um irmãozinho. Vamos dizer, nem é tão pequenininho assim. Na verdade, no dia dezessete de agosto, que é o seu aniversário, a gente fez aquele negócio de encontrar a nossa medida no pinheiro da fazenda do vovô, e descobrimos que entre nós dois existem dezenove galhos. Será que dá para imaginar quantos anos ele tem??? Gosto tanto de matemática que penso, quiçá um dia, eu possa desenvolver essa fórmula matemática que diz os anos da gente pela quantidade de galhos de um pinheiro. O nome dele é Coragem. Minha mãe sempre diz que ele tem natureza de viajante. Acho que é a mesma coisa que dizer que a mangueira tem natureza de dar mangas. Dos galhos do meu irmão brotam viagens. Pra mim as mangas mais gostosas são aquelas quase maduras. Elas ainda têm algo de verde e meio crocante, mas já prenunciam o melzinho deslizando na boca. De todas as viagens do meu irmão, tem um pouquinho de verde e um pouquinho de mel. O mel são suas estórias magníficas, os presentes que ele sempre me traz e o abraço imenso cheio de poeira da estrada quando ele acaba de chegar. Mas o abraço de quando ele vai para mais uma de suas viagens é um verde, gente. Não está maduro, sabe?! Só amadurece quando ele chega. E eu sinto que eu ainda fico menor quando ele não está. Juro que gostaria de inventar uma máquina de super herói que fizesse a gente estar sempre junto. É que agora eu vou fazer uma declaração de amor: EU AMO O MEU IRMAO!!!!! Minha mãe diz que eu tenho natureza de declaração de amor livre. Vocês já perceberam como a minha mãe é inteligente??? Meu pai diz que mais que inteligente, ela é sábia. Não é o passarinho sabiá, não, viu??!!! Meu pai diz que sábia é aquela pessoa que ama o canto do sabiá e mais o canto de TODOS os outros passarinhos. O sábio ama o canto de todas as outras coisas da natureza e as reconhece como de Deus. Essa parte de Deus ainda não entendi. E, às vezes, fico com vergonha de perguntar demais e ficar cansativo, né?!!! Também porque gosto de descobrir do meu jeito. De dar nomes as coisas da natureza como se elas tivessem sido inventadas por mim. Acho que vou inventar um jogo de perguntas e respostas com todas as coisas vivas que conheço do meu quintal até lá onde o meu irmão está viajando. Esse jogo tem a natureza de fazer por encontrar as coisas da natureza e, por assim dizer, encontrar Deus. Aí foi:Aos que se interessem e, em especial, ao meu irmão:1. Por que a mangueira dá mangas, o pé de romã dá romãs, do meu irmão brotam viagens e de mim tantas invenções feito declarações de amor?2. Será que algum dia eu poderia dar mangas ou romãs? Ou pelo menos a gente poderia fazer uma troca por intermédio do chão? 3. Será que Deus são as raízes?4. Será que as minhas declarações de amor nascem nas raízes?5. Ou será que é o canto do sabiá que faz todas as coisas nascerem?6. É o canto ou é o vento que faz o meu irmão viajar?7. Se eu contar para as folhas caídas no quintal do meu jardim que a vovó fez o bolo de chocolate preferido do meu irmão, ele vai saber e voltar?Dentre outras perguntas, logo, logo mais voltaremos . . . . .

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Relato sobre a minha vida de expatriada em Luanda, Angola publicado no livro Escrito para Gerações da  empresa Odebrecht.



Nunca soube onde me encontrava. Quando estava no Egito, estava na França. Desde que estou na França, estou em algum outro lugar... O estrangeiro já não sabe qual é o lugar.
Meu relato começa por esse trecho de Edmond Jabes encontrado em um livro com o título de Raízes Errantes. Gosto de imaginar que a minha trajetória de vida “errante” junto ao meu pai, engenheiro da Odebrecht desde sempre, foi o acerto daquilo que eu sou. Portanto, aproveito o título reformulando-o em Raízes “Acertantes”.
É que ser estrangeiro ou expatriado, a princípio, me fez vento e areia. Perdi por várias vezes os limites reconhecíveis do que eu era, mas foi justamente esse perder que me fez me encontrar do jeito que eu gosto de ser. Digo isso porque me lembro da primeira vez que atravessei o atlântico em direção a Luanda, Angola. Chegando lá, tive uma das impressões mais fortes da minha vida. Era fim de tarde e, depois de todos os trâmites de aeroporto, pegamos a estrada e vi pela primeira vez o maior pôr do sol da minha vida de 12 anos. Era como se eu estivesse nascendo de novo naquele sol tão vivo e imenso. Aquela intensidade de tudo - luz, tamanho, cores – doeu-me os olhos. Foi como uma vertigem em forma de dor aguda que eu jamais havia experimentado, Ao mesmo tempo era tão magnificamente lindo aquele pôr do sol, que eu já não me via sem ele.  Eu me perdia e me encontrava naquela imensidão de luz! O mais poderoso foi lançar o olhar na direção contrária, como se tateando uma sensação um pouco menos intensa, e encontrar outra esfera gigantesca pairando no ar. Essa toda leve e feminina, mas nem por isso, menos forte. Esse céu escandaloso de Luanda em cento e oitenta graus de sol e lua, creio; não, tenho a veemência de dizer, despertou naqueles dias primevos, minha alma de artista tão viva de agora. E posso dizer que essa impressão também se fez em meu pai, porque depois de muitos anos, eu já formada como arquiteta e começando meus enlaces com a arte, fizemos um quadro a quatro mãos.
E adivinhe qual foi o tema?





A árvore é o embondeiro! Mais conhecido mundialmente como o Baobá do livro Pequeno Príncipe.  Talvez tão ou mais emocionante que o pôr do sol de Luanda! O embondeiro para mim era como o ventre materno de todo o planeta Terra. Sua robustez e força em contraste com a sua gentileza imensa de tudo acolher em seu tronco me fez entender o porquê do uso da árvore para simbologia familiar-genealógica. E, por isso, as minhas raízes “acertantes” são tão manifestas nesse quadro. Minhas raízes de estrangeira brasileira muito mais angolano-africanas do que eu poderia imaginar naquela minha primeira viagem a Luanda como expatriada.
Como expatriada em Luanda, também, me descobri me perdendo no sorriso largo dos angolanos. É patente o estereotipo da alegria e prazer de vida do brasileiro, mas isso não se compara ao sorriso vasto do angolano. Ele é sábio! E adora dançar! O sorriso largo do angolano dança por mínimo motivo e não tem hora pra acabar. Assim eram as festas que os angolanos nos ensinaram a dançar. Acho que por isso as raízes acertantes de Angola me fizeram, hoje, também, dançarina, com direito a Companhia de Dança e sorriso largo de gostar de ser quem sou.



Ontem, Luanda, Angola.







Hoje, Uberlândia, Brasil.


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? Dónde está Silencio?

Si yo pudiera, ay que yo lo pediría.Ay, quizás que haya alguien que me lo pueda contar porque el tiempo debe de ser contado un número después del otro y no el contrario. Había de ser más el rostro del tiempo algo que sea más del antes do que el siempre después agudo martillando, martillando, martillando. Para mí el tiempo es algo siempre antes del ensordecedor y estruendoso, irritante Big Bang. ¡El tiempo es silencioso, mi compadre! Hay quien siempre me lo diga que lo ve pasar pesando la carne. Mas, para mí, el tiempo es antes y sin aquella cosa del ruido. El tiempo es hueco y vastedad. ¡Siempre antes, mi corazón! ¡El tiempo que yo veo de aquí nada que ver con la nostalgia, chicos! ¡Ni mismo la memoria! De aquí tiene altura y profundidad que se encuentran en un punto. ¡AHHHH, punto que a mi me gusta! Porque él me hace la propia circunferencia del universo. Muy inmensa mismo, sí, chico?Es que yo tengo tendencia para el vasto y, entonces, todo en mi, el tiempo en mi, es vasto.

Yo digo esa cosa del tiempo ser antes porque el ahora casi siempre es hip hop, rap, regaton, techno-boring, satírico something, la repetición, la repetición, la repetición de átomos todos debilitados, pobrecitos. Porque la danza de los átomos cada día mas estrecha en el salón. El salón sigue lo mismo, sí, chico? Bien vasto. ¡Pero, sus átomos, cuanta diferencia!!! Y, entonces, la gente empieza a entender de sentir todo estresadito que el tiempo es eso ahí: Una habladera, como dicen por aquí.

Regarde, mes amis, le temps est vaste et silencieux.

La verdad es que yo ya ni quiero ver esa persona que vino para decirme del tiempo de después. Ya que yo empecé, empiezo de aquí la nueva danza del sí de los átomos no estresaditos. La danza del antes. El tiempo hecho antes. ¡Ay que delicia cremosa: ya estoy así bien más en el compaso del tiempo que a mí me gusta! La historia contada al contrario del martillo comienza aquí::::

, pues yo colecciono silencio, pues, pues. Una vez mi mamá me dijo que era muy bueno para la gente coleccionar cualquier cosa que fuera. Ella me lo decía con aquella voz que adulto hace cuando está de enseñar a la gente. Decía que era bueno de cheverísimo porque así de una sólo vez yo aprendía a ordenar, a amar y a ser responsable y comprometida por aquello que yo amara. Comprometida era palabra bonita de oir en aquella época. C-O-M-P-R-O-M-E-T-I-D-A para mi parecia velo de novia. Cosa larga e inmensa en forma de palabra; y yo ya los conté de mi “fuerte” por el inmenso, ¿no?Yo tenía un amigo bien de los últimos días, pero cuando yo estaba con él, era cómo si siempre, ¿sabes? Alors, él era argelino y también quería comenzar esa cosa de coleccionar. Él me decía que para él lo bueno mismo era coleccionar los movimientos que su papá hacía cuando escribía poesías en cuaderno timbrado cuando acordaba de su infancia là-bas en Argelia. Yo pienso que es el máximo cambiar “figuritas” con él, ¿sabes? Era porque así yo aprendía a ordenar, a amar y a ser responsable por el amor que yo tenía de verlo intentando imitar a su papá escribiendo. Ay, chicos, cosa más linda y refrescante fue descubrir que hay gente en el mundo que escribe de detrás para delante u del después para el antes. Aún más para gente como yo que adora jugar de espejo para ver el contrario de lo que yo soy y descubrir que el ojo es un globo igualito al terrestre de los estudios geográficos.El ojo es un planeta, ¿si, chico? Un planeta que a mi me gusta verlo al revés y en silencio. Esa es una de las razones por coleccionar silencio. En una de esas de jugar de ojo-planeta en el espejo al revés yo descubrí que el ojo nació y sigue respirando durante toda su existencia del silencio. Eso es porque yo percibí mirando en el espejo que cuando la gente tiene un vecino haciendo reforma que despierta el ojo de nosotros siempre muy antes de lo que “él” quería, el ojo se queda triste de rouge y todo puntiagudo cuando de los tambores. Eso yo puedo confirmar por estudios científicos igualitos a los de mi papá de gafas todo el día. ¡Como mis ojos se picaban a cada choque-choque-choque! Pienso que de verdad a cada choque-choque-choque “él” paraba de respirar porque “él” se cerraba sin que yo lo mandara como si fuera muerto de “maré, maré deci”.El ojo nace y respira durante toda su existencia del silencio., ¡pues yo colecciono silencio, pues, pues!